4/01/2011

Sushi

Detesto comida japonesa.
Detesto você.
Engraçado:
hoje tive que
engolir
os dois.

Lembrete

Voltei a escrever
poesia.
Mas o "eu te amo"
continua sendo
um caminho
sem volta.

Cliché

Eu poderia amar você
se não te achasse
tão parecido comigo.

O problema não é você,
meu bem.
Acredite, o problema
está
em
mim.

Versos para ninar


I

As vezes
tarde da noite
quando me preparo
para, finalmente,
dormir
penso em como farei
para desligar a mente.
O engraçado é que
quase sempre
a casa fica
toda acesa.

Então eu sofro.

Me sinto ridiculamente culpada
por não apagar as luzes.
Logo, cada sono
desta forma
é um sofrimento.
Mas só enquanto penso.

Porque logo desligo a mente
e com a casa acesa
a noite vai perdendo o
aconchego.

A minha insônia
é a noite acesa.
A minha insônia
dorme durante o dia,
quando enfim,
apago as luzes.





II


Tenho como hobby
a mania de prender
o sono -
assim como aqueles
que prendem o fôlego -
até morrer de frio

2/24/2011

Só mais uma observação








Calor, eu ainda te mato. De frioooo!!!!!

2/22/2011

Ao Calor, com carinho...


Calor,
Escrevo esta carta para te fazer refletir.
Mentira. Na verdade eu estou escrevendo só para dizer em alto e bom tom que eu não gosto de você.
Então, agora que deixei claro os motivos de vossa senhoria receber essa carta, pare e pense em como você poderia ser mais legal comigo.
A sua presença me irrita. Me deixa feia e me faz sentir gorda.
Acho que, talvez, agora, nessa época do ano, seria uma boa você ir de intercambio ou mudar-se de vez para um desses países que fazem frio. La, você veria com seus próprios olhos, como as pessoas são mais elegantes, finas, bonitas...

E não adianta vir com esse papo de que o frio deixa as pessoas depressivas pra cima de mim, não. Porque depressão pra mim e ter você aqui, dia e noite, me irritando e me querendo fazer arrancar a roupa.
Tudo bem... o Brasil é um país tropical e tudo bem usar um pouco menos de roupa.
Mas calor, com você aqui e toda essa roupa a menos, como é que vou disfarçar as gordurinhas???
Você definitivamente não é amigo das gordinhas, não é mesmo?
Seu incoveniente!
Aposto que tem ciúmes daquele meu sobretudo maravilhoso que comprei no inverno passado, em Nova York.
E também morre de inveja do suéter de cachemir que tia Ruth trouxe de Buenos Aires.
E não vem se gabar com os biquínis minúsculos que você anda exibindo por ai, nem com as cores do verão, porque tudo isso é um saco.
Então, Calor, tenta parar com essa chatice, essa inconveniência toda...
E eu até faço as pazes com você, caso você traga uma chuvinha boa essa noite. Para regar meus sonhos.

Att,
Eu.

2/20/2011

No final

Por favor, entendam que isso é mais que um desabafo. Peço desculpas para os que não gostam de conselhos, mas até para o meio entendedor, boa palavra basta.

O fato é que passamos metade da vida da gente sentindo medo. A outra metade a gente passa tentando perdê-lo. E ai? Vamos encarar?

Quando eu era menina, tinha medo de fantasmas, mas não tinha medo de insetos. Também tinha medo do escuro, porque na minha cabeça, era ali que os fantasmas moravam.

Era engraçado porque eu não tinha o menor medo de nadar sozinha na parte mais funda da piscina; nem de correr o mais rápido que eu pudesse com a minha bicicletinha e soltar as mãos do guidom em plena velocidade. Os mais velhos diziam que o medo é um mecanismo-de-defesa-do-nosso-corpo e que toda a minha coragem era, na verdade, falta de juízo. 

Vou ser sincera. Naquele tempo, teimosa que eu era, não dei a mínima para a minha falta de juízo crônica e, por um bom tempo, temi só as coisas imaginárias. 

Mas a gente vai crescendo, ficando bobo, desaprendendo a imaginar e as coisas reais tomam uma proporção tão grande que passamos a temer a realidade.

Me falaram tantas vezes para ter juízo que fui perdendo a minha coragem. 

Esqueci os fantasmas, mas sou capaz de fazer uma tempestade num copo d’água por causa de um insetinho que pousa em mim. 

Aprendi que no escuro a gente enxerga nosso coração, mas sempre penso que, sozinha na parte mais funda da piscina, posso ter uma cãibra terrível e, juro, prefiro passar calor do que nadar sozinha. 

Estou na fase de tentar perder meus medos, sem perder o juízo. 

Porque "no final, o que pega a gente, nunca é aquilo que tememos".

12/05/2010

Quebrando a cabeça

Oi gente!

Tem muito tempo que eu não escrevo por aqui. Falta de tempo? Nheee...
Vou ser sincera: falta de inspiração.

Eu bem que tentei produzir alguma coisa hoje, mas tudo o que me restou foi essa foto, pra provar aos meus amigos e leitores que sim, eu estou quebrando a cabeça pra tentar postar algo de novo por aqui.

Um abraço pra cada um de voces.

Pipa

10/21/2010

Aviso

É proibido pisar na grama!
Dizem os loucos .
Mas meus pés-
sábios que são-
dizem:
É proibido pisar em mim!


Foto: Pipa Cavalcanti

10/15/2010

A nossa rua

A minha saudade
tem cheiro
de jasmim.
Você longe
e eu perto
de mim.

10/03/2010

Last Request


Tem um tempinho que venho me exercitando na fotografia.
Gosto de ler um poema, um livro , ou até mesmo escutar uma música e, logo depois, pensar numa imagem para traduzir aquilo que acabei de ler ou escutar.
Tenho conseguido produzir imagens bastante significativas com essas transposições.

A foto que fiz hoje traduz uma musica do Paolo Nutini – que eu adoro – chamada Last Request.
Aproveito pra compartilhar com vocês o resultado.

Gostaram?

Grant my last request and just let me hold you, don't shrug your shoulders
Lay down beside me
Sure i can accept that we're going nowhere
But one last time let's go there



Foto: Pipa Cavalcanti


9/30/2010

Desatenta


O mundo vem à mim, algumas vezes, de maneira muito confusa.
Um turbilhão de informação me chega aos olhos e, por eles não passam.
É como se eu enxergasse a paisagem, mas não a visse.
Meu mundo é um sentir sem arrepios. Uma música que, muitas vezes, toca em silêncio.
É um livro que eu leio e não entendo e, então, leio novamente.
Olho para a esquerda. Para a direita. E o que eu vejo são muitas dúvidas e uma única certeza: todas elas permanecerão sem resposta.
Minha sensibilidade é outra.
Não compreendo os números, mas leio os olhares.
Falo pouco, mas quando falo é de verdade.
Sei sorrir com os olhos – olhos estes de abismos e de promessas.
Choro bem quietinha, prestando atenção nos pensamentos .
Minha sensibilidade é  outra.
Não presto muito atenção nas coisas. Eu gosto é de sentir.
Meu maior desafio é arrepiar de emoção. Sem chorar.
E depois do arrepio, aí sim vem a lágrima.
O mundo vem à mim, algumas vezes, de maneira muito confusa.

Minha sorte é não prestar atenção nessas coisas e prosseguir.
Prosseguir sempre questionando. E esquecendo das respostas.

Quem sabe assim, chegarei em algum lugar.

Foto: Pipa Cavalcanti

9/28/2010

Cinza


Olhei pra frente e o que eu vi foi a chuva que chovia teimosamente. Sem parar.
Não tinha você. Não tinha eu. Em meu horizonte tudo era cinza de um tempo chuvoso.
E a chuva caia... caia fria. Enquanto eu ia... ia... Fria.
O meu coração de granizo se derrete ao luzir do primeiro raio de sol. E não demora muito.
Mas, enquanto chover e o céu –e tudo- estiver cinza assim, decidi que vou olhar pra trás.
Só enquanto a chuva estiver caindo... indo... E eu indo... indo. Rindo.
Depois, o sol vem. Meu coração derrete.
A chuva evapora. Quente.
Meu coração bate. Arde. Quente.
No meu horizonte cinza de um dia chuvoso vejo duas certezas: a do luzir de um raio de sol e de novas tempestades.
No meu horizonte não tem você. Não tem eu. Só um cinza profundo, de uma chuva que teima em chover pela metade.

Foto: Pipa Cavalcanti

9/22/2010

Diálogo sobre uma tão sublime beleza


“O que dizer à bela dama se sua beleza é tão intensa que até um girassol despetalado não retém outra coisa no olhar?” – perguntou o rapaz.
- Não diga nada. Absolutamente nada -  respondeu o Girassol- Quando a beleza se faz sublime, olhe para ela bem quietinho. Aprecie os detalhes e  guarde-os no silêncio.

Tudo que é belo merece respeito.

Foto: Pipa Cavalcanti



9/12/2010

Sobre gripe e promessas

Quando eu fico gripada eu fico doente de verdade. Isso é, não há outra doença que me derrube tanto como uma gripe de mão cheia.

A gripe me faz pensar na vida. Entre um espirro e outro (e o corpo todo contorcido de dor) penso em meus (maus) hábitos: “Ah se eu comesse mais verduras e legumes” , “A partir de amanhã vou tomar vitaminas”, “Eu sei. Preciso parar com essa mania de lavar o cabelo à noite”...

Minha gripe é quase um réveillon- faço resoluções que não irei cumprir nem a metade. E tais promessas se repetem a cada novo vírus gripado que se instala em meu corpo.
Mas quem é que não está sujeito à gripes e promessas não cumpridas?

Na foto, tirada hoje mesmo, eu, de-saco-cheio dessa gripe. Tomando uma sopinha sem graça na tentativa de suar a febre.

Foto: Pipa Cavalcanti

8/29/2010

Caminhos

Peço licença à Marisa Monte:


"Nenhuma pessoa sozinha ia
Nenhuma pessoa vinha
Nem a manhãzinha, nem a madrugada
Nem a estrela-guia, nem a estrela d'alva
Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava
No caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia
Ninguém com os pés na água"

Shhhh: quando o silêncio fala mais alto.

Conversando com uma amiga num barzinho, cheguei a conclusão que uma conversa segura, apesar da impessoalidade é uma conversa virtual. Isso, por chat.

Quer parecer perfeita? Fale de todas as suas habilidades (e trate de aumentá-las) numa conversa via MSN.
Quer parecer centrada? Encare uma briga virtual e aproveite que a distancia entre o cérebro e seus dedos é menor do que a distância entre ele e a sua boca. Isso mesmo, fale com os dedos e tire proveito da distancia para pensar mais.
Brincadeira, gente! Estava sendo irônica com vocês.
É que nós, mulheres, às vezes falamos de mais. E falamos sem pensar. Vamos admitir que sofremos desse mal.
Precisamos aprender as vantagens do silêncio. A pausa também se toca. O silêncio também é música. E na maioria das vezes incomoda muito mais.
Sejamos leves por completo!
No ouvir e no falar. Principalmente no falar.
Uma palavra mal dita, as vezes até mesmo com a intenção correta, extingue a possibilidade do silêncio reinar.
Vote sempre no mais seguro. Quando se fala, não tem como desfalar.
O legal do silêncio é que nele, sempre terá algo por dizer – um “desculpa”, talvez.
O silêncio é sempre mais delicado e mais leve.
Mas que seu diálogo não termine assim.
Tem a face do silêncio que consente.
Que nossas palavras sejam elegantes.
E nossos silêncios compreendidos.


Foto: Pipa Cavalcanti

8/26/2010

Trovoada #14

Me perdoem a rebeldia. E me agradeçam a sinceridade.
Uma imagem vale mais que mil palavras.
Sem dúvida.


Foto: Pipa Cavalcanti

8/25/2010

Velcro

Não consigo resistir a esse olhar.
Cisco, meu fiel companheiro, o cãozinho velcro – que não desgruda .
O menino da casa, o bagunceiro, o alegre. Meu lindão.

Foto: Pipa Cavalcanti

Heart of Stone




Foto: Pipa cavalcanti