
Calor, eu ainda te mato. De frioooo!!!!!
Pensando bem, até que poderia ser mais fácil. Mas quer saber? Se ela não tivesse se reinventado tantas vezes, talvez não teria se encontrado assim, tão dona de seus sonhos. Encheu o peito de coragem. Ou a mente? Encheu a consciência de coragem... Sim, a consciência. Ela jamais havia parado de pensar. Mas seu coração, por ele, já tinha parado de bater. Enfim, encheu a consciência de coragem e se reergueu sabe-se lá de quantos absais. Escreveu sua história. Reescreveu sua história. Reinventou-se. Celebrou a sua natureza de mulher, seu instinto de mãe( se é que isso é mesmo instintivo). Ela sabia das coisas e tinha- sempre teve- certeza do seu melhor. E mesmo quando erguia a cabeça, era no silêncio que falava. Com os olhos, quase sempre. No silêncio ela era palavra escrita. Na ausência, era palavra ainda por escrever. E contava histórias maravilhosas com seu olhar de mistério. Tinha a energia de uma Phoenix -tão feminina por natureza- , mas gostava mesmo de se comparar com os cavalos marinhos, sempre mansos de espírito, elegantes, verticais. Sempre verticais. Não importando a profundeza em que se encontram. Ah quantos absais... Aliás, os cavalos marinhos serão sempre uma boa metáfora para ela, que eu não sei se sabe nadar. Mas que não precisou virar cinza para ressurgir. Encheu o peito de coragem. Botou o coração para bater mais forte e falou com seu olhar que pensa: “não há nada que uma mulher não possa superar”. Depois disso, apaixonou-se por ela mesma. Foi o primeiro cavalo marinho com asas que já vi. |
Era um beijo que estava prometendo acontecer. Um beijo congelado no tempo. Um beijo que aguardava o momento certeiro. Olhos fechados e cabeças voltadas uma para outra. Entre elas o espaço de um tudo. Um universo prestes a expandir-se.
Para os dois não havia tempo ruim. Os olhos permaneciam fechados, como se ambos confiassem na bondade inexistente no mundo. O mundo era amor. E acreditavam, de olhos fechados ou mesmo quando os abriam, que foram feitos para o amor. Acreditavam na possibilidade de um amor novo. De um amor que cura e completa.
Se beijaram, enfim. Os corações pararam, mas continuaram vivos.
Era só uma fotografia. Mas se apaixonara mesmo assim. Pela imagem. Pelo conceito imagem, pela imagem conceito. Olhara para os olhos ali retratados e, querendo descobrir tais segredos, pulou no abismo, jogando-se numa estrada sem fim. Numa queda sem fim.
Saudade e ansiedade são coisas bem parecidas. Só que ao contrário. A saudade é quando você quer voltar. Ansiedade é quando você ainda não foi. E tem a indecisão também, que é uma mistura das duas coisas.