4/19/2010

Sobre Cavalos Marinhos

Pensando bem, até que poderia ser mais fácil. Mas quer saber? Se ela não tivesse se reinventado tantas vezes, talvez não teria  se encontrado assim, tão dona de seus sonhos.
Encheu o peito de coragem. Ou a mente?
Encheu a consciência de coragem...
Sim, a consciência. Ela jamais havia parado de pensar. Mas seu coração, por ele, já tinha parado de bater.
Enfim, encheu a consciência de coragem e se reergueu sabe-se lá de quantos absais.
Escreveu sua história. Reescreveu sua história. Reinventou-se.
Celebrou a sua natureza de mulher, seu instinto de mãe( se é que isso é mesmo instintivo). Ela sabia das coisas e tinha- sempre teve- certeza do seu melhor.
E mesmo quando erguia a cabeça, era no silêncio que falava. Com os olhos, quase sempre. No silêncio ela era palavra escrita. Na ausência, era palavra ainda por escrever. E contava histórias maravilhosas com seu olhar de mistério.
Tinha a energia de uma Phoenix -tão feminina por natureza- , mas gostava mesmo de se comparar com os cavalos marinhos, sempre mansos de espírito, elegantes, verticais. Sempre verticais.  Não importando a profundeza em que se encontram. Ah  quantos absais...
Aliás, os cavalos marinhos serão sempre uma boa metáfora para ela, que eu não sei se sabe nadar. Mas que não precisou virar cinza para ressurgir.
Encheu o peito de coragem. Botou o coração para bater mais forte e falou com seu olhar que pensa: “não há nada que uma mulher não possa superar”.
Depois disso, apaixonou-se por ela mesma.
Foi o primeiro cavalo marinho com asas que  já vi.

3/31/2010

Passa tempo








Acho que em todos esses anos mudei muita coisa.
Outras permaneceram as mesmas.
Ainda bem que o tempo passa.

3/30/2010

Mulher.com

Antes de tudo sou uma constatação: sou Mulher. Ponto. Não uma “mulher e ponto”. Entende a diferença? A “mulher e ponto” é aquela que se contenta em apenas ser. Eu sou. E existo.
Mas em primeiro lugar sou mulher. Sinto cólicas, choro a toa, tenho neuras com as gordurinhas, adoro uma coca com gelo e limão e um papo cabeça. Tenho lá minha vaidade, faço questão de estar, se não com a melhor roupa, com o melhor perfume.
Adoro vestidos e sapatos esquisitos.
Mas também tenho os dias de “foda-se -o- mundo- eu- quero- meu- pijama”
Vermelho é a cor que me rege.
Carrego, dentre outras funções, muita personalidade. Meu cabelo é curto por alguma razão.
Adoro ser baixinha. Detesto salto alto. Mas uso quando quero estar mais charmosa.
Não sou e não pretendo ser a pessoa mais ocupada do mundo. E olha que o mundo é pequeno demais pra mim. Quero ter tempo de sobra. Para ouvir e fazer minhas músicas, minhas poesias. Minhas bagunças internas e externas.
Quero ter tempo de continuar feliz. Sem esquecer que não há nada que seja impossível superar.
Quero ter tempo de continuar a ser uma constatação: Ser Mulher. Ponto.

11/28/2009

Sobre amor e inocência

Ela não sabia amar. Nunca soube. Mas é como se diz, todos somos inocentes até que se prove o contrário. Com o amor também é assim. Ninguém sabe amar até que se prove o contrário.

Como a inocência, só o amor é capaz de revelar a si mesmo. De negar-se. De possuir-se. O amor se alimenta de amor, se dissolve no amor, se contamina de amor. O amor é o que ele mesmo come.

O amor (e também a inocência) gosta de bons livros, bons filmes, de melodias bonitas. De páginas com palavras que provocam prazer. De um dia de chuva pra melancolia olhar pela janela. Vai ver que de tão inocente o amor também é melancólico.

Sim. A inocência , quando bela, é triste. O amor, quando grande, é triste. Porque há tristeza em tudo aquilo que é belo. E a saudade reside na beleza. E a tristeza é sempre saudade.

Tristeza é saudade de ser feliz.

Ela não sabia amar. Quase nunca soube. Mas assim como a inocência, ninguém sabe amar até que se prove o contrário.

Agora ela já sabe: boa coisa é ser inocente.