9/28/2010

Cinza


Olhei pra frente e o que eu vi foi a chuva que chovia teimosamente. Sem parar.
Não tinha você. Não tinha eu. Em meu horizonte tudo era cinza de um tempo chuvoso.
E a chuva caia... caia fria. Enquanto eu ia... ia... Fria.
O meu coração de granizo se derrete ao luzir do primeiro raio de sol. E não demora muito.
Mas, enquanto chover e o céu –e tudo- estiver cinza assim, decidi que vou olhar pra trás.
Só enquanto a chuva estiver caindo... indo... E eu indo... indo. Rindo.
Depois, o sol vem. Meu coração derrete.
A chuva evapora. Quente.
Meu coração bate. Arde. Quente.
No meu horizonte cinza de um dia chuvoso vejo duas certezas: a do luzir de um raio de sol e de novas tempestades.
No meu horizonte não tem você. Não tem eu. Só um cinza profundo, de uma chuva que teima em chover pela metade.

Foto: Pipa Cavalcanti

Um comentário:

Lívia Pereira disse...

Menina!!!

Como vc escreve bem! Não resisti, tive que te dizer!
Estou invadindo um pouquinho seu blog e gostei muito!
Eu sou amiga da Carol, vc se lembra? Uma vez - há muito tempo - vc esteve no meu blog (Balaio de Gata).
Bem, poetisa, parabéns pelos textos.
Um abraço!